Costumamos celebrar o amor, a esperança e a alegria, enquanto o medo e a raiva quase sempre aparecem como sentimentos a serem vencidos, escondidos ou superados. Em Medo e Raiva, o filósofo Renato Noguera propõe um caminho diferente: olhar para esses sentidos sem condenação, compreendendo o que eles revelam sobre a experiência humana. Autor convidado do 4º Fliparacatu, Noguera leva essas reflexões ao festival, que acontece de 26 a 30 de agosto, no Centro Histórico de Paracatu, em Minas Gerais.

No livro, Noguera questiona a ideia de que medo e raiva sejam emoções necessariamente negativas. Ao percorrer narrativas míticas de diferentes tradições — da iorubá à guarani, da judaico-cristã à inuíte e à japonesa —, o autor investiga como essas forças atravessam a vida humana desde tempos ancestrais. Entre divindades, histórias e símbolos, mostra que aquilo que frequentemente buscamos silenciar pode ser também uma fonte de autoconhecimento e transformação.

Filósofo, escritor e professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Renato Noguera desenvolve pesquisas sobre educação, relações raciais, afetos e pensamento afro-brasileiro e indígena. Doutor em Filosofia pela UFRJ, é autor de livros como Porque Amamos, O que é o Luto, ABC do Amor e Medo e Raiva, obras em que aproxima reflexão filosófica, mitologia e experiências do cotidiano.

No Fliparacatu, Renato Noguera participa de duas mesas. Na quinta-feira, 27 de agosto, às 21h, integra “O Amor e o Medo em um mundo em crise”, ao lado de Geni Núñez, com mediação de Jamil Chade. No sábado, 29, às 17h, participa de “Mulheres e Destinos”, com Natalia Timerman, em mesa mediada por Geni Núñez. Os encontros refletem sobre sentimentos, ancestralidade, literatura e as possibilidades de construir outras formas de convivência.

Em uma edição dedicada ao tema “Sertão em Nós: Meu lugar no mundo”, Medo e Raiva convida a refletir sobre aquilo que carregamos por dentro, afinal, compreender nossos afetos talvez seja uma das formas de compreender também o lugar que ocupamos no mundo e a maneira como nos relacionamos com os outros.

 

4º Fliparacatu

Em 2026, o Fliparacatu realiza sua quarta edição entre os dias 26 e 30 de agosto, homenageando dois dos maiores intelectuais brasileiros: João Guimarães Rosa, pelos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento.

Com curadoria de Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, além da programação local assinada por Daniela Prado e da curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli, o festival reúne escritores, jornalistas, artistas, educadores e pesquisadores para discutir literatura, democracia, meio ambiente, cidades, tecnologia, desigualdade, memória, identidade e os desafios do mundo contemporâneo.

Realizado pela Mentha Cultural, com patrocínio master da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Paracatu e da Academia de Letras do Noroeste de Minas, o Fliparacatu reafirma seu compromisso com a diversidade de vozes, o pensamento crítico e a valorização da literatura como ferramenta de transformação social.

 

Serviço

4º Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu)

De 26 a 30 de agosto de 2026, de quarta-feira a domingo

Local: Centro Histórico de Paracatu

Entrada gratuita

Programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @fliparacatu

Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br