
Dentre as obras de Lucas Guimaraens, Poeta Homenageado do 2.º Festival Literário Internacional de Paracatu, Fliparacatu, “L’écriture poétique comme patrimoine immatériel de l’humanité”, lançado ano passado, é o segundo mais pesquisado na França no tema Brésil (Brasil); subtema: Minas Gerais. Os dados são da BnF: Bíbliothèque Nationale de France. A informação de sua classificação no catálogo da BnF chegou até o escritor por e-mail.
O livro é o resultado de pesquisas de anos sobre temas como patrimônio, patrimônio imaterial, museologia, políticas públicas e literatura, especificamente, poesia. O recorte feito foi Minas Gerais, dos Inconfidentes Alvarenga Peixoto, Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, até chegar ao movimento Clube da Esquina, e além deles até. “De fato, pesquisei até a nossa contemporaneidade, com alguns sub-recortes identitários, entre outros. Todo o trabalho se insere especialmente na obra do filósofo francês Jacques Poulain (cátedra Unesco de Filosofia da Cultura e das Instituições – 1996/2020). Ou seja, tratei dos temas a partir da filosofia da linguagem, da transculturalidade e da antropobiologia filosófica”, conta Lucas.
A respeito da obra “L’écriture poétique comme patrimoine immatériel de l’humanité”, a BnF cita:
“Longe de reduzir a poesia à expressão da beleza do sublime, o autor a remete à sua fonte: à prosopopeia que Humboldt discernia em toda palavra. Pois a antropologia contemporânea da linguagem descobriu que esta última tornava possível a vida do ser humano: ao fazer o mundo falar, ele se torna apto a vê-lo, a se mover nele e a agir nele. A prosopopeia poética dá acesso à felicidade descrita pelo poeta, assim como a voz da mãe nos embalou. O caso dos poetas de Minas Gerais não é uma exceção, mas é paradigmático de toda poesia: ele dá voz à alma pessoal do poeta como à alma de um povo que parecia não tê-la mais. Ele chega a abrigar pepitas afro-americanas ou ameríndias. Essa capacidade da poesia de alegrar seus leitores incitou o autor a prestar atenção às poesias cantadas. O caso do Clube da Esquina, em torno de Fernando Brant e Tavinho Moura, ilustra a importância dos poemas cantados de emancipação”.
Lucas Guimaraens ainda completa, adentrando o processo que envolveu a publicação de seu trabalho em questão: “Quando foi lançado este livro (é meu terceiro na França, junto com o livro de poemas “Exil – le lac des incertitudes” e o de filosofia política, “Michel Foucault et la dignité humaine”), foi um susto. No mesmo mês, comecei a receber dezenas de e-mails ou de mensagens enviadas através da editora Harmattan. Eram elogios e, ao mesmo tempo, uma enorme parte de pesquisadores e pesquisadoras com suas dúvidas, questionamentos. Isto continua até hoje”.
Meu argumento principal é a contradição do conceito de “gênio”, de Immanuel Kant. Para ele, haveria algo quase metafísico para que alguém pudesse ser “poeta”, alguém quase ungido por Deus. Mas, em sua época, ele não tinha conhecimento dos desenvolvimentos da ciência, da filosofia e da antropologia que só vieram depois.
O livro, por enquanto, foi lançado apenas na França. Mas o autor finaliza: “Quem sabe alguma editora de língua portuguesa não se interessa?”.
Sobre o Fliparacatu
O tema do 2.º Fliparacatu é “Amor, Literatura e Diversidade”, e acontece entre os dias 28 de agosto e 1.º de setembro. Todas as atividades são gratuitas. A segunda edição do Festival Literário Internacional de Paracatu é patrocinada pela Kinross, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e tem o apoio da Prefeitura de Paracatu, da Academia Paracatuense de Letras e Fundação Casa de Cultura.
Serviço:
2.º Festival Literário Internacional de Paracatu – Fliparacatu
De 28 de agosto a 1.º de setembro, quarta-feira a domingo
Local: programação presencial no Centro Histórico de Paracatu e programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @fliparacatu
Entrada gratuita
Informações para a imprensa:
imprensa@fliparacatu.com.br
Jozane Faleiro – 31 992046367/ Letícia Finamore – 31 982522002