Por Letícia Finamore

 

Na tarde de sábado, 30 de agosto, o 3.º Fliparacatu recebeu, na Academia de Letras do Noroeste de Minas, a mesa “Patrimônio Histórico, o Ideal de Rodrigo Melo Franco de Andrade”, com a participação de Clara Alvim, Beto Mateus e Bernardo Mello Franco. O encontro foi dedicado ao patrono desta edição do Festival – o belo-horizontino Rodrigo Melo Franco de Andrade, fundador do atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e considerado uma das mais importantes personalidades do século XX.

 

Rodrigo, filho da paracatuense Dália Melo Franco de Andrade, nasceu em Belo Horizonte em 1898 e cresceu cercado por um ambiente intelectual e literário. Órfão de pai ainda criança, foi criado sob forte influência de Afonso Arinos. Formado em Direito, também atuou como jornalista e manteve vínculos próximos com o movimento modernista, sobretudo por meio de sua amizade com Mário de Andrade e Manuel Bandeira. Em 1936, foi convidado a organizar e dirigir o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan) – embrião do atual Iphan –, estruturando políticas de preservação do patrimônio cultural do País.

 

Durante 30 anos à frente da instituição, Rodrigo foi responsável por consolidar o tombamento como instrumento legal de preservação e por incentivar pesquisas e publicações fundamentais, como a Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Sua atuação ultrapassou fronteiras e lhe rendeu reconhecimento internacional. Após sua morte, em 1969, o Brasil instituiu o Dia do Patrimônio Histórico em 17 de agosto – data de seu nascimento.

 

Na mesa, os convidados trouxeram diferentes panoramas sobre a trajetória e o legado de Rodrigo: acadêmico, jornalístico e afetivo, dadas as ocupações profissionais de cada componente da mesa. Clara Alvim, professora de literatura e filha de Rodrigo, compartilhou lembranças pessoais e destacou o acervo epistolar deixado pelo pai – em sua maioria cartas que trocou com Mário de Andrade e Manuel Bandeira. Já o pesquisador Beto Mateus, que se dedica ao estudo da obra de Rodrigo nos últimos anos, falou sobre o chamado “rodriguismo” – movimento de intelectuais e gestores que se associaram à sua causa em defesa do patrimônio cultural. 

 

Entre os destaques do debate, apareceram episódios marcantes da vida do homenageado, como sua intermediação para apresentar Oscar Niemeyer a Juscelino Kubitschek, passo decisivo para a construção de Brasília, e a criação do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, que reconhece iniciativas de preservação do patrimônio. 

 

3.º Fliparacatu

Com uma programação diversa, para todos os públicos, no 3.º Fliparacatu haverá debates literários, lançamentos de livros, contação de histórias para as crianças, prêmio de redação, apresentações musicais, entre outros. O Festival homenageia os escritores Valter Hugo Mãe e Ana Maria Gonçalves e tem a curadoria de Bianca Santana, Jeferson Tenório e Sérgio Abranches.

O 3.º Fliparacatu é patrocinado pela Kinross, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e tem apoio da Caixa, da Prefeitura de Paracatu, da Academia de Letras do Noroeste de Minas e parceria de mídia do Amado Mundo.

Serviço:

3.º Festival Literário Internacional de Paracatu – Fliparacatu
De 27 a 31 de agosto, quarta-feira a domingo
Local: programação presencial no Centro Histórico de Paracatu e programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @‌fliparacatu
Entrada gratuita

Informações para a imprensa:
imprensa@fliparacatu.com.br
Jozane Faleiro  – 31 992046367