
“O escritor fala, muitas vezes, o que está todo mundo vendo e ninguém diz”, afirmou Eliana Alvez Cruz
Por Laura Rossetti
Foto por @alnereis
“A liberdade ameaça as pessoas que não gostam da liberdade”: foi refletindo sobre a censura que Sérgio Abranches deu início ao bate-papo sobre “Travessia”, ao lado das escritoras Eliana Alves Cruz e Natalia Timerman. “Uma das razões fundamentais pelas quais o autoritarismo persegue os escritores e proíbe livros é que os escritores têm aquilo que eles temem mais, que é a liberdade de expressão, que é a liberdade de criação e que é exatamente não aceitar regras e cânones”, ponderou Sérgio. A conversa aconteceu sob a mediação do escritor e jornalista Jamil Chade.
Para Eliana, a censura acontece porque os escritores podem causar incômodo: “O escritor fala, muitas vezes, o que está todo mundo vendo e ninguém diz. Ou, às vezes, fala aquilo que todo mundo sente e não consegue definir”. E a autora exemplificou: “Nas obras de autores negros, negras, em algum momento – mesmo que estejam falando de qualquer outra coisa –, a relação étnico-racial vai aparecer. Isso é assustador para quem não quer se dizer racista ou que tem medo de se descobrir racista”, disse.
Natalia também falou sobre a relação entre liberdade e escrita. “A literatura é um dos lugares em que a gente consegue preservar a força da liberdade.” A autora comentou ainda a distorção da noção de liberdade vista nos dias de hoje. “O que seria a liberdade de expressão foi capturado para ferir direitos de outras pessoas. A gente está em um momento em que tem que cuidar muito da liberdade, de todos os significado dela, das perguntas que ela nos faz.”
A mesa de bate-papo entre Eliana Alves Cruz, Sérgio Abranches e Natalia Timerman foi parte da Programação Nacional/Internacional neste sábado, 30/8. A conversa completa está disponível no YouTube do Fliparacatu.