A manhã desta quarta-feira, 26 de agosto, deu início à 4.ª edição do Festival Literário Internacional de Paracatu – Fliparacatu. Os primeiros momentos do evento movimentaram o público com uma programação para diferentes públicos, dividida entre atrações culturais voltadas ao público infantil e debates de valorização da literatura e da história regional.

Programação infantojuvenil

O Auditório do Fliparacatu concentrou apresentações cênicas e narrativas lúdicas voltadas para crianças de até 12 anos. Às 8h30, Gleici Ribeiro abriu os trabalhos no espaço com o espetáculo “Caliandra e o Rio de Histórias”. Mais tarde, às 9h30, a programação infantojuvenil no auditório teve continuidade sob o comando de Junior Mattos, que apresentou a atração intitulada “Baú”.

Oficinas nas Estações Literárias

Na Estação Literária na Praça, o público infantil participou de atividades formativas e interativas ao longo de toda a manhã. A primeira ação do dia ocorreu às 8h30, com o Grupo Cênikas conduzindo a “Oficina Guarda Chuva Poético”, voltada para participantes acima de 7 anos. No horário seguinte, às 9h30, Clara Sant’ana ministrou a oficina “Escrevendo emoções: como transformar sentimentos em histórias”, direcionada a crianças de até 10 anos.

Patrimônio literário

A agenda matutina encerrou-se com destaque para a memória cultural e o patrimônio literário local. Às 11h, o Auditório do Fliparacatu sediou a mesa “O Sertão Mineiro de Afonso Arinos”, inserida na Programação Regional. O painel reuniu Terezinha de Jesus Santana Guimarães, Daniela Prado e Alexandre de Oliveira Gama para debater o legado do autor paracatuense e suas conexões com a identidade do sertão de Minas Gerais.

Em uma celebração das literaturas de João Guimarães Rosa, em razão dos 70 anos de publicação “Grande Sertão: Veredas”, sua obra-prima, e do geógrafo Milton Santos, em seu centenário de nascimento, a programação local do Fliparacatu fez sua estreia em sua quarta edição falando sobre “O Sertão Mineiro de Afonso Arinos”.

No encontro, os convidados tangenciaram as personalidades homenageadas para referenciar características em comum entre a natureza dos sertões de Guimarães Rosa e Arinos. Uma delas é a maneira como ambos escritores humanizam a fauna e a flora de suas histórias; para exemplificar, Alexandre leu diversos trechos de “Buriti Perdido”, um dos contos que integra “Pelo Sertão”, obra de Afonso Arinos. A obra, publicada em 1898, foi uma das inspirações para “Grande Sertão: Veredas”, que viria a ser publicado 58 anos mais tarde. 

Complementando as falas de Alexandre, Terezinha e Daniela fizeram leituras e contaram mais sobre a vida de Afonso Arinos, aproveitando a ocasião para falar sobre a obra” Assombramento”, obra literária publicada originalmente em 1936. A história se passa no Brasil do século XIX, em um contexto permeado por questões políticas, sociais e culturais características da época. Por se tratar de uma personalidade importante para a cultura de Paracatu, o público presente, composto majoritariamente por estudantes da rede escolar da cidade mineira, aproximou ainda mais o contato com uma das personalidades mais notáveis do município.

Também estiveram presentes escritores da programação local do Fliparacatu, a citar Nágela Caldas e Silvano Avelar, este que compõe a mesa “A influência roseana na música em Paracatu”, que acontece às 16h, também no Auditório do Fliparacatu. Já Nágela participa da mesa de conversa “A escrita como território afetivo”, em que divide o palco do mesmo auditório, também às 16h, com Tarzan Leão e Raik. Cida Mendes, embaixadora do Fliparacatu e nome por trás da personagem Concessa, que interpreta uma mulher simples do interior que comenta sobre a vida, os costumes e as mudanças do tempo com muito bom-humor, finalizou a mesa de conversa com uma fala de sua experiência pessoal com o sertão literário à convite de Alexandre.

Antes de finalizar o encontro, Daniela Prado, que é presidente da Academia de Letras do Noroeste de Minas, distribuiu exemplares da versão ilustrada de “Assombramento”, destacando o trabalho da ALNM em divulgar as obras de Afonso Arinos. Os contemplados foram todos estudantes, e a seleção se deu por mérito, ao responderem corretamente as perguntas feitas por Daniela a respeito do trabalho do escritor mineiro.

4.º Fliparacatu

Em 2026, o Fliparacatu realiza sua quarta edição entre os dias 26 e 30 de agosto, homenageando dois dos maiores intelectuais brasileiros: João Guimarães Rosa, pelos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento.

Com curadoria de Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, além da programação local assinada por Daniela Prado e da curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli, o festival reúne escritores, jornalistas, artistas, educadores e pesquisadores para discutir literatura, democracia, meio ambiente, cidades, tecnologia, desigualdade, memória, identidade e os desafios do mundo contemporâneo.

Realizado pela Mentha Cultural, com patrocínio master da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Paracatu e da Academia de Letras do Noroeste de Minas, o Fliparacatu acontece em diferentes espaços do Centro Histórico da cidade, aproximando autores, leitores e ideias em uma programação gratuita e aberta ao público.

Serviço

4.º Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu)
De 26 a 30 de agosto de 2026, de quarta-feira a domingo
Local: Centro Histórico de Paracatu
Entrada gratuita
Programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @fliparacatu
Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br