O 4.º Fliparacatu – Festival Literário Internacional de Paracatu encerrou sua edição de 2026 com 32.500 pessoas circulando pelo Centro Histórico ao longo dos cinco dias de programação, de 26 a 30 de agosto. Outro dado revela a consistência dessa participação: nenhuma das atividades do Festival teve menos de 250 pessoas presentes no auditório do Flipacatu, alcançando, em alguns momentos, o limite da lotação, estimado em 600 pessoas.

A quarta edição do Fliparacatu é patrocinada pela Kinross, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura,  com o patrocínio da Caixa e apoio cultural da Prefeitura de Paracatu, Academia de Letras do Noroeste de Minas e Sebrae. Desde sua primeira edição, todas as atividades do Festival são gratuitas, acessíveis, transmitidas online pelo Youtube e estão alinhadas com os princípios do ESG (Ambiental, Social e Governança) e da ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas).

E o Fliparacatu não terminou no domingo, 31 de agosto. Todos os debates e mesas desta quarta edição foram transmitidos ao vivo, gravados e já se encontram disponíveis para ser assistidos, gratuitamente, no YouTube @fliparacatu.  É um aspecto fundamental do projeto: o encontro presencial transforma-se imediatamente em acervo audiovisual público e permanente. As conversas realizadas em Paracatu podem agora ser vistas, revistas, compartilhadas e aproveitadas por leitores, estudantes, professores e pesquisadores em qualquer lugar. Além disso, estão no site fliparacatu.com.br as matérias da cobertura jornalística feitas de todas as mesas, sem exceção. Clique aqui e confira.

Prêmio de Redação e Desenho

O Fliparacatu começou muito antes da abertura dos palcos. Com o inestimável apoio da Prefeitura de Paracatu, por intermédio da Secretaria de Eduçação, uma de suas principais forças, o Prêmio de Redação e Desenho, teve como tema “Meu Lugar no Mundo”. O concurso contemplou diferentes faixas etárias, distribuídas entre categorias de redação e desenho, ampliando as possibilidades de participação de estudantes do ensino infantil, fundamental, médio e para jovens e adultos (EJA). Antes de os escritores chegarem à cidade, portanto, o Fliparacatu já estava dentro de praticamente todas as escolas, mobilizando alunos e professores em torno da leitura, da escrita, da imaginação e do pertencimento.

Clique aqui para conferir os trabalhos vencedores.

Programação diversa

Nesta edição, a curadoria apresentou uma estrutura plural e robusta, composta por cinco curadores: Afonso Borges, presidente do Fliparacatu, Calila das Mercês e Sérgio Abranches, curadores da programação Nacional/ Internacional, Daniela Prado, responsável pela curadoria local, e Rafael Nolli, que ficou por conta das atividades voltadas para o público infantojuvenil. A grade de convidados trouxe um autor internacional, 31 autores de projeção nacional, 11 autores focados no público infantil e 24 autores locais. Além da programação oficial, o Fliparacatu abriu espaço direto para a produção independente, registrando o lançamento e a sessão de autógrafos de 105 autores autônomos (sem contar os 68 escritores da programação do Festival). Sob o tema “Sertão em Nós: Meu Lugar no Mundo”, a quarta edição homenageou João Guimarães Rosa, pelos 70 anos de Grande Sertão: Veredas, e Milton Santos, no centenário de seu nascimento. A partir dessas duas referências, o Festival reuniu autores de diferentes gerações, origens, identidades, experiências e campos de atuação.

Essa diversidade esteve nos próprios autores. Mia Couto, Míriam Leitão, Bruna Lombardi, Jeferson Tenório, Eliana Alves Cruz, Geni Núñez, Alê Santos, Renato Noguera, Rita von Hunty, Bia Bracher, Cristovão Tezza, Jamil Chade, Noemi Jaffe, Paulo Scott, Natalia Timerman, Calila das Mercês, Sérgio Abranches, Ítalo Moriconi, Paulliny Tort, Sandra Menezes, Estevão Ribeiro e Taiane Santi Martins, entre muitos outros, dividiram a programação com escritores de Paracatu e da região. Autores negros, brancos e indígenas, mulheres e homens, escritores consagrados e novas vozes fizeram dos palcos um espaço de encontro entre diferentes experiências e maneiras de compreender o Brasil e o mundo.

A mesma diversidade apareceu nos temas. Partindo do sertão de Guimarães Rosa e do pensamento de Milton Santos sobre território e lugar, o Fliparacatu falou de literatura, memória e pertencimento, mas também de racismo, afrofuturismo, democracia, corpo, identidade, acessibilidade, amor, medo, desigualdade, tecnologia, meio ambiente, jornalismo, futuro e ficção especulativa. Questões íntimas conviveram com os grandes dilemas políticos, sociais e culturais da contemporaneidade.

O Festival também ampliou as formas de expressão: literatura adulta e infantojuvenil, música, artes visuais, slam, batalha de rimas, tradição oral, bordado, oficinas e atividades educativas. A exposição “O Sertão de Portinari”, realizada em parceria com o Projeto Portinari, levou às ruas outra leitura do sertão brasileiro e de seus personagens.

Números do 4.º Fliparacatu

Os 32.500 participantes mostram a dimensão alcançada pelo Festival nas ruas e nos espaços de programação. O público mínimo de 250 pessoas em todas as atividades demonstra que o interesse não se restringiu aos nomes mais conhecidos, mas se distribuiu por autores, assuntos e linguagens muito diferentes.

O público pôde acompanhar um total de 68 atividades distribuídas por oito espaços temáticos do festival: a Livraria, a Central de Autógrafos, o Espaço Cerrado de Origem (Sebrae), o Quintal Casa Paracatu, a Academia de Letras do Noroeste de Minas, o espaço Fliparacatu da Gente, a Casa Kinross e o Auditório Fliparacatu, onde foram realizadas as principais atividades do evento. A programação do debate público e da formação literária contou com 28 mesas de debates nacionais e internacionais, 11 mesas locais, 17 mesas infantojuvenis, 8 oficinas e 4 apresentações musicais. A valorização da economia da região também se materializou na ocupação comercial do evento, com 7 estandes no espaço do Sebrae e 10 estandes no Fliparacatu da Gente voltados a produtores locais.

A complexidade e a grandiosidade da infraestrutura do Fliparacatu 2026 refletem-se nos indicadores técnicos de produção e montagem. O festival demandou 560 m² de área coberta com piso elevado e o manejo de mais de 38 toneladas entre estruturas, equipamentos e materiais diversos. O acabamento estético e de comunicação visual utilizou 380 m² de impressão digital, 2.900 metros lineares de revestimento em tecido e 560 m² de revestimento de piso. Apenas nas etapas de montagem e desmontagem, a equipe técnica contou com 21 profissionais dedicados, registrando 2.800 horas de trabalho com priorização da contratação de mão de obra local.

Em termos de geração de ocupação e dinamização econômica, o festival mobilizou diretamente uma equipe de 124 pessoas, abrangendo áreas de produção, comunicação, curadoria, administrativo, recepção de autores e acessibilidade, com presença de intérpretes de Libras. No ecossistema de prestação de serviços indiretos, foram mapeados, no mínimo, 110 profissionais atuando em frentes operacionais – incluindo 21 técnicos de montagem, 5 profissionais de livraria, 6 de restauração, 20 no espaço Fliparacatu da Gente, 14 no Sebrae, 19 seguranças, 10 profissionais de limpeza, 8 carregadores, 3 motoristas e 4 dedicados à locação de mobiliário.

Somados os quadros diretos e indiretos já catalogados, o Fliparacatu movimentou ao menos 234 profissionais na execução do projeto. Este indicador é parcial e tende a crescer com a consolidação dos dados de setores como a rede hoteleira, gráficas, serviços de transporte corporativo e fornecedores complementares da cadeia de turismo e eventos.

Livraria do Fliparacatu

Além de palestras, debates, atividades culturais e apresentações musicais, a livraria, o coração de todo festival literário, teve seu destaque como grande atrativo. Foi montado um espaço de 220 m² dedicado à venda de livros no Fliparacatu, com títulos literários abrangendo diversos gêneros, como romance, poesia, ensaio, aventura, terror, crônica, biografia, infantojuvenil, entre outros. No total, foram vendidos cerca de cinco mil exemplares, distribuídos entre 1.500 títulos.

É notável que os livros mais vendidos no evento foram escritos por autores e autoras que participaram do Fliparacatu. Isso confirma a vocação do festival em promover e valorizar a produção literária nacional. Confira:

  1. “Mulheres Que Sentem Os Espíritos”,  Bruna Lombardi;
  2. “Nódoa”, de Calila Das Mercês;
  3. “Tomara Que Você Seja Deportado: Uma Viagem Pela Distopia Americana”, de Jamil Chade;
  4. “Diário Do Grande Sertão – Nova Edição”, de Bruna Lombardi;
  5. “Formas de Narrar Um Corpo”, de Rita Von Hunty;
  6. “A Franja Do Fim Do Mundo”, de Sérgio Abranches;
  7. “Os Imortais”, de Paulliny Tort;
  8. “Medo e Raiva: O Que Os Mitos e as Filosofias Revelam Sobre Nossos Afetos Sombrios”, de Renato Noguera;
  9. “Meridiana”, de Eliana Alves Cruz;
  10. “Te Dou Minha Palavra”, de Noemi Jaffe.
  11. “Tempos Extremos”, de Míriam Leitão;
  12. “Ser-Tão Natureza”, de Mônica Meyer;
  13. “A Cegueira Do Rio”, de Mia Couto;
  14. “Antes Que Apague”, de Natalia Timerman;
  15. “Cuidar Da Solidão Até Virar Encontro”, de Alexandre Coimbra Amaral;
  16. “Felizes Por Enquanto”, de Geni Núñez;
  17. “O Último Ancestral”, de Ale Santos;
  18. “Para Ler Grande Sertão Veredas”, de Italo Moriconi;
  19. “De Onde Eles Vêm”, de Jeferson Tenório;
  20. “A Terra É Redonda”, de Jamil Chade e Milly Lacombe.

O balanço do 4.º Fliparacatu pode, assim, ser compreendido por um movimento que começa antes e continua depois dos cinco dias de Festival: começa nas escolas, com o Prêmio de Redação e Desenho; ocupa o Centro Histórico com 32.500 pessoas e uma grande diversidade de autores e temas; e permanece aberto ao mundo, com todos os debates disponíveis gratuitamente no YouTube. Com investimento contínuo na formação de leitores e no fortalecimento do setor cultural, a 4ª edição do Festival Literário Internacional de Paracatu encerrou sua programação consolidando-se como um verdadeiro sucesso de público, crítica e mobilização comunitária.

4.º Fliparacatu

Em 2026, o Fliparacatu realizou sua quarta edição entre os dias 26 e 30 de agosto, homenageando dois dos maiores intelectuais brasileiros: João Guimarães Rosa, pelos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento.

Com curadoria de Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, além da programação local assinada por Daniela Prado e da curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli, o festival reuniu escritores, jornalistas, artistas, educadores e pesquisadores para discutir literatura, democracia, meio ambiente, cidades, tecnologia, desigualdade, memória, identidade e os desafios do mundo contemporâneo.

Realizado pela Mentha Cultural, com patrocínio master da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Paracatu e da Academia de Letras do Noroeste de Minas, o Fliparacatu aconteceu em diferentes espaços do Centro Histórico da cidade, aproximando autores, leitores e ideias em uma programação gratuita e aberta ao público.

Serviço

4.º Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu)
De 26 a 30 de agosto de 2026, de quarta-feira a domingo
Local: Centro Histórico de Paracatu
Entrada gratuita
Programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @fliparacatu
Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br