
No ano em que o Brasil celebra o centenário de Milton Santos, um dos pensadores mais importantes para compreender o espaço, as cidades e as relações que determinam as formas de viver e ocupar o mundo, o Fliparacatu tem o geólogo como patrono na quarta edição do Festival. Nina Santos, neta de Milton, trabalha com temas ligados à democracia digital, comunicação e políticas públicas, tendo publicado as obras “Social Media Logics” e “Como desarmar o autoritarismo no Brasil” e esteve presente para conversar com Ale Santos, escritor afrofuturista, com mediação de Marcelino Freire.
A história de Milton Santos é marcada por travessias – tal qual as escritas por Guimarães Rosa, com quem divide o patronato do 4.º Fliparacatu. Nascido em Macaúbas, no interior baiano, e descendente de professores negros no início do século XX, ele estudou o conceito de território para explicar como as técnicas, as pessoas e as desigualdades se sobrepõem e moldam a vida. Como relembrou Nina em sua fala, o percurso de seu avô foi feito de confluências entre a raiz sertaneja, a capital baiana, a França (um de seus lugares de exílio) e diversos outros territórios pelo mundo. A presença de Nina no centenário de Milton Santos trouxe para o Fliparacatu a dimensão do presente. A pesquisadora resgatou a ensinança central do avô de que “o mundo é feito pelo que pode efetivamente existir”, lembrando que o exercício de imaginar e disputar novas realidades não serve apenas para construir o amanhã, mas já transforma o hoje.
Escritor de ficção científica, roteirista e finalista do Prêmio Jabuti, Ale Santos fez sua terceira participação nesta edição do Fliparacatu. Desta vez, o escritor defendeu a democratização da literatura e o resgate da memória negra por meio da arte. O autor relembrou sua trajetória na periferia da cidade paulista de Cruzeiro e as barreiras enfrentadas até conseguir ver seu nome estampado na capa de um livro aos 30 anos. Transitando por diferentes mídias, da literatura aos games, passando por podcasts e histórias em quadrinhos, o escritor destacou o papel fundamental da oralidade, do rap e do samba na formação do seu trabalho. Ao abordar os caminhos da tecnologia e da inovação, Alê propôs um olhar humanizado e ligado às nossas raízes, provocando o público ao afirmar que tecnologia também está no cotidiano, no fazer tradicional e no saber popular. Para Alê Santos, fazer ficção no Brasil é um ato de presença e de valorização do real, de modo que a imaginação periférica tem combustível para criar novos mundos e reescrever o futuro.
4.º Fliparacatu
Em 2026, o Fliparacatu realiza sua quarta edição entre os dias 26 e 30 de agosto, homenageando dois dos maiores intelectuais brasileiros: João Guimarães Rosa, pelos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento.
Com curadoria de Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, além da programação local assinada por Daniela Prado e da curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli, o festival reúne escritores, jornalistas, artistas, educadores e pesquisadores para discutir literatura, democracia, meio ambiente, cidades, tecnologia, desigualdade, memória, identidade e os desafios do mundo contemporâneo.
Realizado pela Mentha Cultural, com patrocínio master da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Paracatu e da Academia de Letras do Noroeste de Minas, o Fliparacatu acontece em diferentes espaços do Centro Histórico da cidade, aproximando autores, leitores e ideias em uma programação gratuita e aberta ao público.
Serviço
4.º Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu)
De 26 a 30 de agosto de 2026, de quarta-feira a domingo
Local: Centro Histórico de Paracatu
Entrada gratuita
Programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @fliparacatu
Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br