
A 4ª edição do Festival Internacional de Literatura de Paracatu – Fliparacatu – nasce do encontro entre duas forças da cultura brasileira: Guimarães Rosa e Milton Santos, trazendo ao palco o tema/conceito “Ser Tão em Nós: Meu Lugar no Mundo”. Traz também duas efemérides importantes: os 70 anos de publicação de “Grande Sertão: Veredas” de Rosa, e o centenário de nascimento do geógrafo baiano. O Festival vai acontecer entre 26 e 30 de agosto, no Centro Histórico de Paracatu.
O 3.º Fliparacatu é patrocinado pela Kinross, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e tem apoio da Prefeitura de Paracatu, da Academia de Letras do Noroeste de Minas e parceria de mídia do Amado Mundo. Os curadores desta edição são Sérgio Abranches e Calila das Mercês, ao lado do presidente do Festival, Afonso Borges.
Entre veredas e territórios, o tema do Fliparacatu propõe um exercício de literatura e realidade brasileira. Afinal, qual é o nosso lugar no mundo? De onde falamos? Que histórias carregamos e quais histórias escolhemos ouvir? Mais do que buscar respostas definitivas, o festival abre espaço para que estas perguntas circulem entre escritores, artistas, educadores e leitores.
Na literatura de Guimarães Rosa, o sertão se revela como espaço vivo e múltiplo, onde a experiência humana ganha densidade de linguagem, travessia e invenção. O sertão em Rosa não é apenas paisagem, mas condição de existência — um território de encontros, conflitos, deslocamentos e transformação. Em “Grande Sertão: Veredas”, o mundo aparece como travessia permanente, onde o ser humano se constrói no caminho, diante do outro e diante de si mesmo.
Já Milton Santos, um dos mais importantes intelectuais brasileiros do século XX, compreendeu o território como experiência humana e política. Sua obra mostrou que os lugares não são apenas pontos no mapa, mas espaços atravessados por memória, trabalho, desigualdade, afetos, circulação e pertencimento. Para ele, entender o mundo exige olhar para as relações que moldam a vida cotidiana e os modos como as pessoas habitam seus lugares.
Ao reunir essas referências, o Fliparacatu constrói uma edição guiada pela pluralidade de olhares e pela potência das narrativas. O tema “Ser Tão em Nós: Meu Lugar no Mundo” reconhece que toda história nasce de um lugar — afetivo, social, cultural ou simbólico — e que é justamente na diversidade dessas experiências que se ampliam nossas formas de compreender o Brasil e o mundo.
Em 2026, o Fliparacatu transforma o Centro Histórico de Paracatu em espaço de travessia, encontro e escuta. Durante cinco dias, escritores, artistas, pesquisadores, educadores e leitores irão ocupar ruas, igrejas, praças, escolas e auditórios em torno da literatura, da educação, da memória e da imaginação. Mais do que um festival literário, o Fliparacatu reafirma a cultura como experiência coletiva capaz de aproximar pessoas, criar pertencimento e reinventar futuros.