Em 2026, quando se comemoram os 70 anos da publicação de “Grande Sertão: Veredas” e o centenário de nascimento do geógrafo Milton Santos, a quarta edição do Fliparacatu homenageia os dois intelectuais como patronos do festival. Entre os dias 26 e 30 de agosto, no centro histórico de Paracatu, em Minas Gerais, escritores, jornalistas, artistas e pensadores participarão de uma programação gratuita, com patrocínio master da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Paracatu e da Academia de Letras do Noroeste de Minas.

A curadoria nacional é assinada por Sérgio Abranches e Calila das Mercês, ao lado do idealizador e presidente do festival, Afonso Borges. A programação local é conduzida por Daniela Prado, e a curadoria da programação infanto-juvenil fica à cargo de Rafael Nolli.

Participam desta edição: Alê Santos, Alessandra Roscoe, Alexandre Coimbra Amaral, Bia Bracher, Bruna Lombardi, Calila das Mercês, Cármen Lúcia, Cristóvão Tezza, Eliana Alves Cruz, Estevão Ribeiro, Fabiana Carneiro, Geni Núñez, Ítalo Moriconi, Jairo Marques, Jamil Chade, Jeferson Tenório, Jeovanna Vieira, Marcelino Freire, Mia Couto, Míriam Leitão, Mônica Meyer, Natalia Timerman, Nina Santos, Noemi Jaffe, Paulo Scott, Paulliny Tort, Renato Nogueira, Ricardo Ramos Filho, Rita von Hunty, Sandra Menezes, Sérgio Abranches e Taiane Santi Martins. Vindos da literatura, do jornalismo, da filosofia, da educação, das artes e das ciências humanas, eles formam um painel diverso de vozes e experiências.

A programação reafirma uma característica dos festivais realizados pela Associação Cultural Sempre um Papo: a busca pelo equilíbrio entre homens e mulheres, a presença significativa de autores negros e indígenas e o diálogo entre diferentes gerações, áreas do conhecimento e perspectivas. A diversidade de vozes não é um elemento acessório, mas uma escolha curatorial que amplia a conversa e enriquece a experiência dos leitores. São eles: Fliaraxá, Flitabira e Flipetrópolis, além do próprio projeto Sempre um Papo, que completa 40 anos em 2026.

Toda programação é inteiramente gratuita, com tradução simultânea em Libras e transmitida online pelo canal @fliparacatu do Youtube.

Temas e questões presentes nas obras dos convidados

As obras desses autores abrem caminhos para temas que dialogam diretamente com o nosso tempo. Democracia, racismo, meio ambiente, cidades, mudanças climáticas, povos originários, relações humanas, saúde mental, memória, identidade, desigualdade, violência, tecnologia, desinformação e os desafios da convivência contemporânea estarão no centro dos debates. Os livros serão o ponto de partida para conversas que procuram compreender a realidade brasileira e suas conexões com o mundo.

Rosa e Milton Santos: por que são os patronos

A escolha de Guimarães Rosa e Milton Santos revela o espírito desta edição. Rosa fez do sertão um território de linguagem e reflexão sobre a condição humana. Milton Santos revolucionou a geografia ao mostrar como o espaço, as cidades e as desigualdades moldam a vida contemporânea. Setenta anos depois da publicação de Grande Sertão: Veredas e cem anos após o nascimento do geógrafo baiano, suas obras permanecem atuais e continuam oferecendo instrumentos para pensar um mundo em transformação.

Lançamento de livro

O Fliparacatu abre espaço para autores que vão além da leitura e se dedicam também à escrita, garantindo a presença de livros publicados em uma área dedicada a autógrafos, e integrada à programação oficial do festival.

A iniciativa contempla, especialmente, os escritores e escritoras que publicam de forma independente, muitas vezes responsáveis por todo o processo de edição de suas obras. Ainda assim, o espaço também é aberto a títulos publicados por editoras tradicionais.

O registro é gratuito, mediante a doação de dois exemplares do livro lançado para a equipe organizadora do evento, que os repassará para a biblioteca da cidade, a Biblioteca Municipal René Lepesqueur.

As inscrições podem ser feitas no formulário oficial clicando aqui.

Prêmio de Redação e Desenho

O tradicional Prêmio de Redação e Desenho integra a programação do Fliparacatu 2026 e mobiliza estudantes da rede pública e privada de Paracatu em atividades de criação literária e artística, a partir do tema proposto pelo festival.

A iniciativa contempla alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio, distribuídos em categorias específicas de desenho e redação, organizadas por faixa etária, incluindo também estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e modalidades equivalentes de ensino.

Os trabalhos são desenvolvidos no ambiente escolar, com orientação dos professores, e passam por uma seleção interna realizada pelas próprias instituições de ensino antes do envio ao festival. As produções selecionadas são avaliadas por uma comissão julgadora definida pela organização do Fliparacatu.

Os vencedores recebem premiação em dinheiro, no valor de R$1.000,00 para o primeiro lugar, R$500,00 para o segundo e R$300,00 para o terceiro. Os professores dos estudantes premiados também são contemplados com livros selecionados pela organização do festival.

Cada escola poderá encaminhar produções selecionadas internamente, com limite de envio por categoria. As redações e desenhos deverão ser produzidos em sala de aula, com acompanhamento do professor, em folha-padrão disponibilizada pelo festival e enviados ao endereço eletrônico redacao@fliparacatu.com.br.

Guignard e a Paisagem de Minas

Em 2026, quando se comemoram os 130 anos de nascimento de Alberto da Veiga Guignard, o Fliparacatu realiza uma exposição pública e gratuita com 24 reproduções de obras do artista, instaladas ao ar livre no Centro Histórico de Paracatu, sob a curadoria da museóloga Ângela Gutierrez.

Reconhecido como um dos maiores pintores brasileiros do século XX, Guignard transformou a paisagem de Minas Gerais em um dos temas centrais de sua produção artística. Suas montanhas, igrejas, casarios, jardins, céus e horizontes revelam um olhar singular sobre o território mineiro, aproximando natureza, patrimônio histórico e imaginação poética.

A escolha de Paracatu para receber a mostra estabelece um diálogo natural com a obra do artista. Assim como Ouro Preto, Sabará, Diamantina e outras cidades históricas retratadas por Guignard, Paracatu preserva um dos mais importantes conjuntos urbanos coloniais de Minas Gerais, integrado à paisagem do cerrado. Nas telas do pintor e nas ruas da cidade, arquitetura, natureza e memória formam uma mesma paisagem cultural.

A exposição dialoga diretamente com o tema do 4º Fliparacatu — O Sertão em Nós – Meu Lugar no Mundo. Em Guimarães Rosa, o sertão é linguagem, travessia e experiência humana. Em Guignard, Minas torna-se paisagem sensível, espaço de contemplação e identidade. Ambos ajudam a compreender o território como parte da formação cultural e afetiva dos brasileiros.

Ao reunir literatura e artes visuais, o Fliparacatu amplia a experiência do público e reafirma uma característica presente desde sua criação: fazer da cidade um espaço de encontro entre diferentes linguagens artísticas. Em edições anteriores, o festival apresentou exposições dedicadas ao Projeto Portinari, à fotógrafa Vânia Toledo, ao Museu do Oratório e à série Muros Invisíveis, incorporando a fotografia, o patrimônio histórico e as artes visuais à programação literária.

A mostra Guignard e a Paisagem de Minas – 130 anos de Alberto da Veiga Guignard presta homenagem a um dos artistas que melhor interpretaram Minas Gerais. Ao ocupar o espaço público com reproduções de suas obras, convida moradores e visitantes a redescobrir a paisagem mineira por meio da pintura, da literatura e da contemplação.

História do Festival

Realizado pela Associação Cultura Sempre um Papo, o Fliparacatu chegou à sua quarta edição consolidado como um dos principais festivais literários do país. Desde sua criação, o evento tem promovido encontros entre literatura, pensamento, artes e questões contemporâneas, sempre com acesso gratuito e ampla participação da comunidade.

 

 

 

A primeira edição, em 2023, teve como tema “Literatura e Democracia” e homenageou Conceição Evaristo e Ailton Krenak, reunindo autores como Itamar Vieira Junior, Ignácio de Loyola Brandão, Ana Maria Gonçalves, Jeferson Tenório e Elisa Lucinda. A programação atraiu milhares de pessoas ao centro histórico de Paracatu e marcou o início de uma relação intensa entre a cidade e o festival.

Em 2024, sob o tema “Literatura e Memória”, o Fliparacatu homenageou Machado de Assis e Adélia Prado, ampliando sua programação e consolidando a presença de escritores, jornalistas, cientistas e artistas em debates sobre identidade, história e cultura brasileira.

A terceira edição, realizada em 2025, teve como tema “Literatura, Encruzilhada e a Desumanização” e homenageou Ana Maria Gonçalves e Valter Hugo Mãe. Com mais de 60 autores convidados, o festival aprofundou discussões sobre racismo, desigualdade, tecnologia, meio ambiente e democracia, reforçando sua vocação de aproximar literatura e pensamento crítico.

Ao longo de suas três primeiras edições, o Fliparacatu reuniu mais de 150 autores, promoveu centenas de atividades e transformou o centro histórico da cidade em um espaço permanente de encontro entre leitores, escritores e diferentes formas de conhecimento.

Serviço

4º Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu)

De 26 a 30 de agosto de 2026, de quarta-feira a domingo

Local: Centro Histórico de Paracatu e programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @fliparacatu

Entrada gratuita

Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br