
Beatriz Bracher, autora do romance “Guerra-I”, vencedora do Prêmio Machado de Assis de Melhor Romance (Biblioteca Nacional), participou do 4.º Fliparacatu com a mesa de debates “Passados Presentes”, que dividiu com Jamil Chade e teve mediação de Afonso Borges. O encontro dos três escritores aconteceu no sábado, 29 de agosto, às 16h, no Auditório do Fliparacatu. Clique aqui e saiba como foi a atividade.
Beatriz Bracher é escritora, editora e roteirista. Nascida em São Paulo, é formada em Letras, foi editora da revista 34 Letras e uma das fundadoras da Editora 34. Também atua no cinema, tendo assinado o argumento de “Cronicamente inviável” e o roteiro de “Os inquilinos”. Sua trajetória na literatura conta com seis romances e dois livros de contos. Leitora assídua desde a infância, Beatriz cultivou a escrita na vida adulta de forma reservada, guardando para si seus primeiros contos por considerar o ofício algo distante, restrito a um “grupo seleto”. A virada de chave ocorreu durante sua atuação como co-fundadora e editora da Editora 34. Ao encarar a rotina de avaliação de originais em uma casa editorial enxuta, compreendeu como o mercado editorial funciona e percebeu que a hesitação em publicar era, no fundo, o receio de assumir publicamente a própria vocação. A constatação de que sua verdadeira realização não estava restrita à edição, mas na criação, motivou a decisão de se afastar do mercado editorial para dedicação exclusiva aos projetos pessoais. A partir daquele período focado inteiramente na escrita, o movimento autoral não parou mais.
No momento, Bracher se situa entre o lançamento das obras da trilogia “Guerra”, um de seus trabalhos mais ambiciosos. Cada um dos três livros conta histórias sobre a Guerra do Paraguai (1864 – 1870) a partir de fragmentos e cartas de combatentes e figuras da época do conflito. A autora explica que o recurso epistolar confere uma subjetividade particular ao texto, e que isso acontece por causa da dimensão cotidiana que era registrada nas cartas, assim como a rotina nos acampamentos e a saudade da família. A escolha por dar voz apenas a uma parte da narrativa (em primeira pessoa, a partir da perspectiva de quem escreveu as cartas) constrói uma atmosfera intencionalmente claustrofóbica, pensada para retratar a desorientação vivenciada pelos soldados em campo de batalha. Beatriz ressalta que, para além das justificativas territoriais e tecnológicas, a guerra permanece, em sua essência, como a destruição de vidas humanas.
A trilogia “Guerra” tem uma separação clássica e cronológica, dividida em três partes. Em “Guerra – I”, lançado em 2026, a escritora fala sobre a invasão paraguaia, o acordo da Tríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina) contra o Paraguai. Já a segunda obra (finalizada, mas ainda em processo de edição) retrata o caminho dos Aliados, saindo do começo do Rio da Prata e chegando até Assunção, em território paraguaio. Em “Guerra – III”, o destaque é a Campanha da Cordilheira, quinta e última fase da ofensiva brasileira contra o Paraguai. Em tom de piada, Bracher diz estar “temerosa” sobre como fará para editar a última parte de sua trilogia.
4.º Fliparacatu
Em 2026, o Fliparacatu realiza sua quarta edição entre os dias 26 e 30 de agosto, homenageando dois dos maiores intelectuais brasileiros: João Guimarães Rosa, pelos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento.
Com curadoria de Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, além da programação local assinada por Daniela Prado e da curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli, o festival reúne escritores, jornalistas, artistas, educadores e pesquisadores para discutir literatura, democracia, meio ambiente, cidades, tecnologia, desigualdade, memória, identidade e os desafios do mundo contemporâneo.
Realizado pela Mentha Cultural, com patrocínio master da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Paracatu e da Academia de Letras do Noroeste de Minas, o Fliparacatu acontece em diferentes espaços do Centro Histórico da cidade, aproximando autores, leitores e ideias em uma programação gratuita e aberta ao público.
Serviço
4.º Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu)
De 26 a 30 de agosto de 2026, de quarta-feira a domingo
Local: Centro Histórico de Paracatu
Entrada gratuita
Programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @fliparacatu
Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br