
A manhã desta sexta-feira do 4.º Fliparacatu destacou a literatura infantojuvenil em uma série de atividades pensadas para despertar a imaginação e a reflexão nas crianças e jovens que passaram pelo Festival. O público acompanhou debates, música, ciência e oficinas distribuídas entre o Auditório e a Estação Literária na praça.
A programação começou às 8h30 no Auditório, com um bate-papo focado em noções de percepção e sentido. A autora Alessandra Roscoe trouxe seu lado lúdico para conversar com o escritor José Rezende Jr. na mesa “Histórias como forma de olhar o mundo”, conduzindo o público acima de 8 anos a pensar a literatura e a narrativa como ferramentas para interpretar a realidade ao redor.
No mesmo horário, a Estação Literária na praça recebeu a contação de história “A Flauta e o Violino”, ministrada por Ozaina Barros para crianças de até 12 anos. A atividade uniu literatura e diálogo musical, “interrompendo” o local de silêncio quando os pequenos experimentaram soprar os instrumentos e explorar a sonoridade do espaço.
A partir das 9h30, o Auditório deu lugar à curiosidade científica com a atividade “E se eu fosse um Cientista?!”, comandada por Paulo Victor Teodoro para o público a partir de 5 anos. Paralelamente, na Estação Literária, o Coletivo Galeria Arte & Cultura ministrou a Oficina de Slam para jovens a partir de 12 anos, introduzindo dinâmicas de escrita e performance poética aos participantes. A competição de poesia falada integra a Programação Regional do 4.º Fliparacatu, assim como é feito desde a edição de estreia do evento. O Slam Galeria acontece no domingo, 30 de agosto, a partir das 15h, no Auditório do Fliparacatu; na ocasião, oito poetas participarão da disputa.
A atriz e escritora Bruna Lombardi participou de uma edição do Sempre Um Papo Paracatu, realizado na Casa Kinross, com mediação de Jamil Chade. Clique aqui e saiba como foi o encontro.
Vozes que tecem o sertão: Ditos populares e autoras paracatuenses
Às 11h, o encerramento da programação da manhã foi com mesa “Ditos populares e autoras paracatuenses”, que reuniu Maria Teresa Cambronio, Benedita dos Reis e Eleusa Spagnuolo. O trio falou sobre a oralidade aprendida desde a infância e sobre a maneira como os costumes, as histórias e os modos de falar ajudam a guardar a memória de um lugar.
Benedita dos Reis, professora e escritora nascida em Paracatu, lembrou a vida na roça e o companheirismo entre as pessoas do campo, em que um ajuda o outro. Falou também sobre o tempo das coisas — de plantar, semear e colher — e sobre a importância da terra e dos trabalhadores rurais para a história da região. Autora de Passeio pelo tempo, Por causa de um sonho e A menina da praça, Benedita levou para a conversa lembranças que se misturam à própria história de Paracatu.
Maria Teresa Cambronio, professora, escritora e poeta, também falou sobre o que permanece na fala cotidiana. Autora de Meus Momentos e Sementes de Amor e integrante da Academia de Letras do Noroeste de Minas, ela chamou atenção para o papel das mulheres na transmissão de provérbios, ditados e expressões populares. Mães, professoras e escritoras aparecem, nesse processo, como pessoas que ajudam a fazer essas palavras chegarem às novas gerações.
Foi nesse contexto que surgiram expressões como “catuma”, “cafundó” e “bugiar”. Maria Teresa contou que gosta de pesquisar de onde vêm essas palavras, curiosidade que também revela a importância de conhecer e preservar aquilo que muitas vezes está presente na fala sem que se saiba mais sobre sua origem.
A conversa passou ainda por João Guimarães Rosa, um dos patronos do Fliparacatu, justamente pela força da oralidade em sua obra. As participantes relacionaram os modos de falar do sertão presentes na literatura roseana às histórias e expressões que fazem parte da vida de quem vive nesse território.
Ao longo da conversa, as lembranças pessoais das autoras acabaram encontrando a história de Paracatu: na vida da roça, nas palavras aprendidas em casa, nos ditos populares e na literatura. Uma conversa sobre aquilo que se ouve, se guarda e, depois, se conta de novo.
4.º Fliparacatu
Em 2026, o Fliparacatu realiza sua quarta edição entre os dias 26 e 30 de agosto, homenageando dois dos maiores intelectuais brasileiros: João Guimarães Rosa, pelos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento.
Com curadoria de Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, além da programação local assinada por Daniela Prado e da curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli, o festival reúne escritores, jornalistas, artistas, educadores e pesquisadores para discutir literatura, democracia, meio ambiente, cidades, tecnologia, desigualdade, memória, identidade e os desafios do mundo contemporâneo.
Realizado pela Mentha Cultural, com patrocínio master da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Paracatu e da Academia de Letras do Noroeste de Minas, o Fliparacatu acontece em diferentes espaços do Centro Histórico da cidade, aproximando autores, leitores e ideias em uma programação gratuita e aberta ao público.
Serviço
4.º Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu)
De 26 a 30 de agosto de 2026, de quarta-feira a domingo
Local: Centro Histórico de Paracatu
Entrada gratuita
Programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @fliparacatu
Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br