Atividades para crianças, literatura, ciência e debates sobre memória e identidade movimentaram a tarde desta sexta-feira, 28 de agosto, no 4.º Festival Literário Internacional de Paracatu – Fliparacatu. Em uma programação que engloba diferentes públicos da leitura e da cultura, o Auditório recebeu a escritora Miriam Leitão para uma conversa com Alessandra Roscoe sobre seus livros destinados ao público infantojuvenil, enquanto a Estação Literária da Praça levou experiências científicas para as crianças. No fim da tarde, a programação regional colocou em diálogo a obra de João Guimarães Rosa, patrono dessa edição, e Afonso Arinos.

Programação infantojuvenil

A tarde começou às 14h no Auditório, com o espetáculo “Me deixe ir, preciso andar”, apresentado por Mayron Engel. A atividade integrou a programação voltada ao público infantil, levando teatro e a arte da palhaçaria para o espaço do festival.

No mesmo horário, a Estação Literária da Praça recebeu novamente Paulo Vitor Teodoro para a atividade “E se eu fosse um cientista?!”, que também aconteceu no período da manhã no auditório. A proposta uniu ciência e brincadeira por meio de experiências realizadas diante das crianças, que também foram convidadas a participar e experimentar na prática os fenômenos apresentados.

Às 15h, o Auditório recebeu a escritora Miriam Leitão, em conversa mediada por Alessandra Roscoe. A autora apresentou ao público infantojuvenil parte de sua produção literária voltada às crianças e aos jovens.

Miriam Leitão leva histórias e imaginação ao público infantil

Escrever para crianças é, para Míriam Leitão, um exercício de reencontro. Em conversa mediada pela jornalista e escritora Alessandra Roscoe, na tarde desta sexta-feira, a autora contou que procura recuperar a criança que foi para criar novas histórias. “Eu era um bicho do mato”, lembrou, ao falar da infância em uma casa cheia de irmãos, mas em que ela própria era muito tímida e quieta. Foi nessa época que os livros se tornaram uma grande companhia.

Em seguida, a autora apresentou “O estranho caso do sono perdido”, história que nasceu de uma experiência real. O livro acompanha uma avó que sofre com a insônia e, ao lado da neta, embarca em uma viagem pela imaginação até o “mundo dos sonhos” em busca do tal sono perdido. Antes de ler um trecho para as crianças presentes no auditório, a Leitão contou que a ideia surgiu de um período em que ela mesma estava sem conseguir dormir, até que sua neta perguntou o motivo.

A conversa também passou por “Lulli: A gata aventureira”, seu livro mais recente para o público infantil. A personagem nasce com a síndrome de Cri-du-Chat e, diante de incertezas apresentadas pelos médicos sobre seu futuro, vai descobrindo que as possibilidades podem ser muito maiores do que as previsões. A história acompanha Lulli em suas descobertas e transforma a diferença em uma narrativa sobre coragem, imaginação e as muitas maneiras de crescer.

A literatura para crianças ocupa um espaço importante na produção de Míriam Leitão. Ao longo dos anos, a autora publicou histórias que passam por temas como natureza, família, adoção, afeto, linguagem e meio ambiente, entre elas “A perigosa vida dos passarinhos pequenos”, “A menina de nome enfeitado”, “Flávia e o bolo de chocolate”, “O mistério do pau oco”, “As aventuras do tempo” e “O menino que conhecia o fim da noite”.