
Nágela Caldas, Tarzan Leão e Raik subiram ao palco do 4.º Flitabira às 16h nesta quinta-feira, 27 de agosto, para falar sobre o tema “A escrita como território afetivo”. A mediação de Nágela perpassou questões delicadas sobre afetividade, muitas vezes remetendo ao tema familiar. A fala da jornalista mostra que os três integrantes da mesa se reuniram em um encontro prévio ao Festival para conversar sobre o debate que fariam, e desse momento surgiram muitas histórias pessoais.
Em seguida, contou suas histórias pessoais de quando partiu de sua terra natal, Rio Grande do Norte, e disse como a vivência da partida inspirou o livro “Verás que um filho teu não foge à luta”, de modo que a narrativa, por vezes, confunde-se com sua própria vida. Em razão de suas inspirações terem como ponto de partida suas próprias experiências, Tarzan passou a escrever a partir da afetividade. Cedo passou a observar o mundo, e sentiu necessidade de sair de sua terra, seu lugar, porque queria “sentir saudade”. O escritor complementa, dizendo que sabia que a saudade seria um elemento importante para qualquer coisa que viesse a escrever.
Por sua vez, Raik contou que sua infância foi “ao pé da serra”, ao lembrar das memórias que tem da casa de sua avó. A territorialidade é para o autor o motor e a inspiração para sua escrita, lembrando-se enquanto conta memórias de João Pinheiro, sua cidade de origem. Além disso, Raik contou as diferentes formas que homenageia seus familiares em sua escrita, seja nomeando personagens a partir de pessoas de seu círculo social ou até mesmo contando suas histórias.
Diante da temática da mesa de debates (que acabou se tornando uma roda de conversas), os minutos que se seguiram foram preenchidos pelos causos dos dois escritores, que por vezes leram passagens de seus livros para ilustrar seus registros afetivos. Antes de encerrar a conversa, Nágela questiona sobre o uso da inteligência artificial na escrita. Para a resposta, tanto Tarzan quanto Raik disseram que a I.A é útil em muitos casos – este ressalta o auxílio que o mecanismo presta em questões de pesquisas. O trio concordou que, dada a impessoalidade do resultado dos textos gerados por I.A, a impessoalidade tira as impressões pessoais e o afeto da literatura.
4.º Fliparacatu
Em 2026, o Fliparacatu realiza sua quarta edição entre os dias 26 e 30 de agosto, homenageando dois dos maiores intelectuais brasileiros: João Guimarães Rosa, pelos 70 anos da publicação de Grande Sertão: Veredas, e o geógrafo Milton Santos, no centenário de seu nascimento.
Com curadoria de Sérgio Abranches, Calila das Mercês e Afonso Borges, além da programação local assinada por Daniela Prado e da curadoria infantojuvenil de Rafael Nolli, o festival reúne escritores, jornalistas, artistas, educadores e pesquisadores para discutir literatura, democracia, meio ambiente, cidades, tecnologia, desigualdade, memória, identidade e os desafios do mundo contemporâneo.
Realizado pela Mentha Cultural, com patrocínio master da Kinross, por meio da Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e apoio da Prefeitura de Paracatu e da Academia de Letras do Noroeste de Minas, o Fliparacatu acontece em diferentes espaços do Centro Histórico da cidade, aproximando autores, leitores e ideias em uma programação gratuita e aberta ao público.
Serviço
4.º Festival Literário Internacional de Paracatu (Fliparacatu)
De 26 a 30 de agosto de 2026, de quarta-feira a domingo
Local: Centro Histórico de Paracatu
Entrada gratuita
Programação digital no YouTube, Instagram e Facebook – @fliparacatu
Informações para a imprensa: imprensa@sempreumpapo.com.br